É amanhã! (17/10) Venha participar desse descontraído bate papo sobre como é a "rotina
sem retina". Seria mesmo tudo escuro? E os sonhos, têm cores? Mitos,
curiosidades, coisas engraçadas do cotidiano. Traga suas dúvidas e causos, estaremos te esperando "de ouvido abrido"!
Espaço Mundo Mundano (Mourato Coelho, 25, Pinheiros), amanhã 20h. Espero te ver por lá
http://www.mundomundano.com.br/1710-1o-ponto-de-mutacao-rotina-sem-retina/
terça-feira, 16 de outubro de 2012
sábado, 29 de setembro de 2012
Novamente os anônimos
Falávamos sobre a dificuldade de estabelecer um diálogo quando não se tem a
mínima noção de quem é o outro interlocutor. Aquela conversa de doido, com o
"bom te ver por aqui, continua indo lá?". Conheço muitas pessoas na rua, mas sou
um péssimo memorizador de nomes. Aí alguém me disse que eu não deveria me
preocupar muito com isso, porque hoje as pessoas estão imersas em seus próprios
mundinhos. Discordei e resolvi compartilhar esse trechinho de conversa. "Mas
olha só, a rua pra mim é um divã coletivo - numa caminhada inspirada, cada
esquina pode ser uma surpresa. E acho que tem muito mais gente boa que gente
ruim, seja pelos gestos, seja pelas idéias compartilhadas. Nunca esqueço daquela
menina que foi comigo naquela caótica tarde de sexta chuvosa até o fim do
Viaduto do Chá, me alegrando com seu imenso guarda-chuva, e só depois contou que
tava indo pro outro lado. Essa se me falasse "oi, eu sou a moça do guarda-chuva,
lembra", eu certamente lembraria, mas não faço nem idéia da 1ª letra do nome. E
assim vários anônimos fazem dessa caminhada uma suave maratona sem fim."
mínima noção de quem é o outro interlocutor. Aquela conversa de doido, com o
"bom te ver por aqui, continua indo lá?". Conheço muitas pessoas na rua, mas sou
um péssimo memorizador de nomes. Aí alguém me disse que eu não deveria me
preocupar muito com isso, porque hoje as pessoas estão imersas em seus próprios
mundinhos. Discordei e resolvi compartilhar esse trechinho de conversa. "Mas
olha só, a rua pra mim é um divã coletivo - numa caminhada inspirada, cada
esquina pode ser uma surpresa. E acho que tem muito mais gente boa que gente
ruim, seja pelos gestos, seja pelas idéias compartilhadas. Nunca esqueço daquela
menina que foi comigo naquela caótica tarde de sexta chuvosa até o fim do
Viaduto do Chá, me alegrando com seu imenso guarda-chuva, e só depois contou que
tava indo pro outro lado. Essa se me falasse "oi, eu sou a moça do guarda-chuva,
lembra", eu certamente lembraria, mas não faço nem idéia da 1ª letra do nome. E
assim vários anônimos fazem dessa caminhada uma suave maratona sem fim."
domingo, 16 de setembro de 2012
Desejo não tem cor
Queria estar naquele Pub cinza, tomando um Black e ficando red, ouvindo um
blues, Hard Core ou um samba de preto velho. Só não ouço cores
blues, Hard Core ou um samba de preto velho. Só não ouço cores
sábado, 15 de setembro de 2012
Blinder
No Blinder, o chat da cegolandia:
- Você é alta?
- Tô voltando da casa do Zoião, só Black e Ice. Tô altíssima!
- Tua voz lembra a da Katia Flávia.
- Como ela é?
- Conheço aquele corpo todinho, mas não sei descrevê-la!
- Conhece biblicamente?
- E paganamente também. Escuta, qual tua idade?
- Trinta e lá vai pedrada.
- Pedrada para cima ou para baixo?
- Bem, sou fortinha, então acho que para os lados.
- Adoro! Qual teu peso?
- Te garanto que você me ergue, me larga e me ergue de novo!
- Uhu! Tô na tua cola, gatolha! Como são seus olhos?
- Veja como os seus.
- Adoraria ver seus olhos nos meus!
- Isso é poético.. Gostei.
- Isso é desejo, pitchu. Conta mais. Quero te ler em braille.
- Com quantos pontos se faz um bom braille?
- Me fez cócegas só de pensar. Um arrepau no pil!
- Eita trocadalho do carilho, batido mas bem lembrado.
- Sabia que a primeira amnésia a gente nunca esquece?
- Nem por foto a gente lembra.
- O que os olhos não vêem os outros contam.
- Bem dito, mas só contam o que julgam importante.
- Então somos filtrados de muita coisa?
- Yes, penso isso.
- Merece um beijo. Segura aí: smaakt!
- Beijo pelo celular é meio gozado.
- Isso é só uma prévia, Tchu. Te farei fechar os olhos ainda mais!
- Qual o tamanho da tua bengala?
- A social ou a de trote diário?
- Você tem duas, é?
- Até três, quase um adultério.
- Fiquei com medo. Você é uma figura!
- E você é um álbum!
- Meenas, pleasfavore! Nessas horas eu preferia ser surda a cega.
- Desculpintão. Aperta o três e até mais não ver.
- Bestão! Me liga, te gosto.
- Bom dia pra você também!
- Você é alta?
- Tô voltando da casa do Zoião, só Black e Ice. Tô altíssima!
- Tua voz lembra a da Katia Flávia.
- Como ela é?
- Conheço aquele corpo todinho, mas não sei descrevê-la!
- Conhece biblicamente?
- E paganamente também. Escuta, qual tua idade?
- Trinta e lá vai pedrada.
- Pedrada para cima ou para baixo?
- Bem, sou fortinha, então acho que para os lados.
- Adoro! Qual teu peso?
- Te garanto que você me ergue, me larga e me ergue de novo!
- Uhu! Tô na tua cola, gatolha! Como são seus olhos?
- Veja como os seus.
- Adoraria ver seus olhos nos meus!
- Isso é poético.. Gostei.
- Isso é desejo, pitchu. Conta mais. Quero te ler em braille.
- Com quantos pontos se faz um bom braille?
- Me fez cócegas só de pensar. Um arrepau no pil!
- Eita trocadalho do carilho, batido mas bem lembrado.
- Sabia que a primeira amnésia a gente nunca esquece?
- Nem por foto a gente lembra.
- O que os olhos não vêem os outros contam.
- Bem dito, mas só contam o que julgam importante.
- Então somos filtrados de muita coisa?
- Yes, penso isso.
- Merece um beijo. Segura aí: smaakt!
- Beijo pelo celular é meio gozado.
- Isso é só uma prévia, Tchu. Te farei fechar os olhos ainda mais!
- Qual o tamanho da tua bengala?
- A social ou a de trote diário?
- Você tem duas, é?
- Até três, quase um adultério.
- Fiquei com medo. Você é uma figura!
- E você é um álbum!
- Meenas, pleasfavore! Nessas horas eu preferia ser surda a cega.
- Desculpintão. Aperta o três e até mais não ver.
- Bestão! Me liga, te gosto.
- Bom dia pra você também!
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Recordações para perder de vista
Os olhares dos garotinhos, porque eu andava de braços dados com meu irmão; o dó
das velhinhas e criancinhas; os escravos do servo curandeiro; as desconexões
quando eu revelava no bate-papo a desnecessidade da foto. Só lembro dessas
coisas quando voltam a acontecer, então não mais as procuro dentro e fora de
mim.
das velhinhas e criancinhas; os escravos do servo curandeiro; as desconexões
quando eu revelava no bate-papo a desnecessidade da foto. Só lembro dessas
coisas quando voltam a acontecer, então não mais as procuro dentro e fora de
mim.
domingo, 12 de agosto de 2012
A regência da rede
Ainda no subsolo do prédio, me deu na telha o seguinte: Nem em casa consigo ficar sozinho. Fico tentando achar as letrinhas no
touchscreamming e depois me reconfortando na vasta botãozeira do computador. Compartilho o que penso, com base ou interpretações
supostamente hilariantes daquilo que consegui absorver entre o falatório que veio antes e depois do meu. Entram também na receita os fatos
do jornal, os retratos falados do cobrador, as conversas do vizinho no hall, o forró que tocava no carro que ia em direção ao reduto do
samba, as janelas que abrem e fecham e são só barulho. Pra poder processar todo esse caleidoscópio e poder reter na rotina da retina, que
nunca me regeu, é preciso tempo de manobra para respirar, acessado com o botão "off-line", ao lado do relógio.
Aí dou uma breve desligada no celular e no computador, pra poder falar com meu interior. Por isso imploro: só não botem rede na minha
varanda!
touchscreamming e depois me reconfortando na vasta botãozeira do computador. Compartilho o que penso, com base ou interpretações
supostamente hilariantes daquilo que consegui absorver entre o falatório que veio antes e depois do meu. Entram também na receita os fatos
do jornal, os retratos falados do cobrador, as conversas do vizinho no hall, o forró que tocava no carro que ia em direção ao reduto do
samba, as janelas que abrem e fecham e são só barulho. Pra poder processar todo esse caleidoscópio e poder reter na rotina da retina, que
nunca me regeu, é preciso tempo de manobra para respirar, acessado com o botão "off-line", ao lado do relógio.
Aí dou uma breve desligada no celular e no computador, pra poder falar com meu interior. Por isso imploro: só não botem rede na minha
varanda!
domingo, 5 de agosto de 2012
Bixiga é alegria
Coisas do Bixiga: passo apressado pelo boteco e me convidam pra um churrasquinho
que tava rolando ali mesmo; já na Achiropita a tiazinha da barraca me dá uma
Fogazza a mais porque já me viu subindo ladeira com o Tocha; o Tocha, morador
das calçadas da 9 de Julho, ontem me ajudou a pegar o ônibus e pela sétima vez -
e como sempre fez - recuzou o troco que lhe ofereci. Bixiga é alegria, como
dizia o samba da Vai-Vai!
que tava rolando ali mesmo; já na Achiropita a tiazinha da barraca me dá uma
Fogazza a mais porque já me viu subindo ladeira com o Tocha; o Tocha, morador
das calçadas da 9 de Julho, ontem me ajudou a pegar o ônibus e pela sétima vez -
e como sempre fez - recuzou o troco que lhe ofereci. Bixiga é alegria, como
dizia o samba da Vai-Vai!
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