sexta-feira, 24 de maio de 2013

Mudanças

Mudanças dão um medo..
Dá vontade de mudar de idéia, ainda quando a escolha não pertençe a nós
e quando o novo caminho já parece mais curto,
Aí os ponteiros mudam, nos carregando sem chance de voltar
Que o que já foi mudou de nome pra saudade,
que o agora é a mais nova realidade
Mudanças dão uma canseira, e depois esse descansar é tão intenso
que faz a gente acordar com outros olhares,
sem tanto se importar com os novos ares

terça-feira, 23 de abril de 2013

Faceando

Na cama, ateve-se a examinar todos aqueles rostos e faces que povoavam a
heartline. Um era alegre, outra cúmplice; um era parceiro, o outro apenas
companheiro; um era sereno, a outra tinha olhos de ressaca; uma era observadora,
o outro desatinado; um era pra casar (mas achava que ainda tinha muito tempo a
correr), o outro era senil; Um mexia muito a boca, outro os olhos; uma era sem
sal, o outro tão doce.. Acabou seguindo o cursor, sem saber pra onde olhar.

Ano 3.0

San Paulo (discípulo da antiga Bíblia), 19 May. O ano é 3.0. Hoje fiquei em
dúvida se comia costelinha em Tóquio ou sushi naquele arranha-céu em Nova
Aurora. Tenho me tornado assim indeciso desde que o teletransporte se tornou
acessível até aos que sobrevivem só com as maçãs distribuídas pela ONU e pela
Apple. Sou vítima do atentado G-Earth III, que destruiu mais de 15 hectares de
nuvens de informação. O chip do banco deu problema, me confundiram com um
estelionatário e me deixaram quase off-line. Consegui uma conexão clandestina,
uma das últimas não cabeadas pelo projeto Changai. Já que o sistema me impingiu
tais regras, me obriguei a falcificar G-money. Um velho robô que trabalhou
naquela churrascaria em Nova Délhi um dia deixou escapar a faca e alguns
segredos. Seu idioma era quase incompreensível, mas isso já não mais faz sentido
desde que o iTalk começou a rodar nativamente nos chips implantados desde o ano
2.17 beta. A partir de então, todos os idiomas tornaram-se compreensíveis e
todos os livros legíveis em poucos segundos. Dia desses adquiri interpretações
inteiras, capazes de serem reproduzidas exatamente no tom e na velocidade da
minha fala. Em meio às minhas batalhas internas, como a luta entre o sushi e a
costelinha, vejo que meu último canal de ligação é também monitorado. Estou com
medo, mas não acho a carinha correspondente. Ficarei off-line por mais alguns
releases, mas prometo voltar até que o último pacote de esperança seja
confiscado. É o relatório. Cuide bem de sua nuvem

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Alguma coisa acontece no meu coração

Esses quase 5 anos de Sampa me deixaram mais inquieto e friorento. Me
pergunte, porém, se estou desgostando? Vejo coisas erradas, mas as
certas me desvirtuam mais a atenção. A gente cheirosa desfilando na
Paulista me faz esquecer que existe um Tietê. Há filas, mas sou quase
preferencial, necessário. Barulhos me deixam vesgo, mas o silêncio já me
provoca uma sensação ainda mais estranha. Vi os preços subirem, a
Augusta descer, a Nova Luz nunca se ascender. Vi muitos engarrafamentos
serem esvaziados, muitos copos reaproveitados. Senti a neblina forte das
manhãs, a fumaça quente das motocas. Subi ladeira, desci de carro.
Desacreditei no caminho do taxista, pois me acostumei a andar a pé. O
Peixe Urbano me fez nadar por alguns Rios então desconhecidos. A ponte
aérea me fascinou, mas sempre acreditei chegar em casa quando via as
margens do Ipiranga. Sinto mais frio, a mente às vezes entope de tanta
informação. Ainda assim, renovo por igual período, e a união continua
quase estável.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ensinamentos de mais um carnaval

Prestar a atenção requer uma certa tensão
acariciar requer um diminuir no dansar
mas beijar faz ressuscitar quem nunca havia morrido, numa explosão de ternura e libido

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Perguntas que batucam na cabeça

Como será o amanhã? É dos carecas que elas gostam mais? Se a canoa não virar, eu
chego lá? Daria R$1 pro mendigo que dança e pede: "me dá um dinheiro aí, me dá
um dinheiro aí?" Quando meu bom Allah vai aparecer com o calor? Você tem mesmo
que me dar seu coração? Seja sincera, Aurora! Ah morena, deixa eu gostar de
você? Será pequena a Chiquita Bacana lá da Martinica, que se veste com uma casca
de banana nanica? Foi pra se homenagear a Colombina que inventaram a colomba
pascoal? Bandeira branca, amor, pois nem o Zezé da cabeleira sabe se é ou não é.
A turma do funil só vai descobrir que cachaça não é água não na quarta-feira.
Garrafa cheia eu não quero ver sobrar, mas depois as águas vão rolar. Porque
faça sol ou temporal, vem aí mais um carnaval!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Inventando um novo amor

Já se foram quase 24h daquela procura no fundo da última latinha.. Agora os dedos obedecem alguma lógica, embora eu continue emotivo. Como
lembrar de teu sorriso se eu não lembro de teu rosto? Como não lembrar de tua mão gelada sem pensar como seriam teus Sim, eu imagino, eu
invento.. E se fez então inteira, só naquele momento